Terapia hormonal na menopausa: 5 perguntas para levar ao médico, o que a ciência mostra
Guia prático e direto, para você decidir com segurança junto do seu médico.
Se os fogachos e o sono roubaram sua paz, dá para melhorar, com hormônios ou sem. A decisão fica mais fácil quando você sabe o que perguntar. Aqui estão as dúvidas que realmente mudam a consulta, com o que a ciência já sabe.
Terapia hormonal na menopausa: para quem costuma valer a pena?
Para quem tem fogachos incômodos e tem menos de 60 anos ou está a menos de 10 anos da menopausa, a terapia hormonal é a opção mais eficaz, se não houver contraindicações1. Também ajuda no sono ligado aos fogachos e previne perda de osso enquanto usada1, 2.
Se você tem útero, precisa combinar estrogênio com progesterona para proteger o endométrio, que é o revestimento do útero. Sem útero, usa-se estrogênio isolado1, 2. Para secura vaginal e dor na relação, o estrogênio local em creme ou anel resolve muitos casos e quase não cai no sangue1.
Não se usa terapia hormonal para prevenir infarto, derrame ou perda de memória. A decisão é individual e considera sintomas, riscos e preferências1, 2.
Janela de oportunidade: iniciar com menos de 60 anos ou até 10 anos desde a última menstruação costuma ter melhor equilíbrio entre benefício e risco.
Panay et al., 20241| Opção | Serve para | Risco de trombose | Progesterona necessária se útero? |
|---|---|---|---|
| Estrogênio por via oral + progesterona | Fogachos e sono, previne perda de osso | Maior que adesivo ou gel1 | Sim1, 2 |
| Estrogênio transdérmico (adesivo ou gel) + progesterona | Fogachos e sono, previne perda de osso | Menor que comprimido1 | Sim1, 2 |
| Estrogênio vaginal local | Secura, dor, urgência para urinar | Não aumenta de forma relevante1 | Não1 |
Dica: Se você tem risco de trombose, discuta a via na pele. O risco é menor que com comprimido1.
As 5 perguntas que mudam a consulta
Vá com estas perguntas e anote as respostas. Elas ajudam a definir dose, via e tempo de uso, e a planejar o acompanhamento.
Parar não é prova de fogo. Os fogachos podem voltar, e isso é comum. Combine como ajustar se os sintomas reaparecerem1.
- Sou candidata real? Meus sintomas e minha idade, menos de 60 anos ou até 10 anos da menopausa, favorecem o benefício?1
- Qual via e dose fazem mais sentido para mim, comprimido ou adesivo/gel? Eu preciso de progesterona?1, 2
- Quais são meus riscos pessoais, como mama, trombose, coração, fígado, enxaqueca e histórico da família, e como reduzi-los?1
- Por quanto tempo usar? Como decidimos seguir, reduzir ou parar, sem prazo fixo de 5 anos?1, 2
- Como será o acompanhamento? Revisão em 3 meses e depois anual. Que sinais pedem consulta antes? Dosar hormônio no sangue é necessário? Geralmente, não2
Dica: Peça números absolutos para o seu perfil. Fica mais claro do que só ouvir que "aumenta" ou "diminui".
Alternativas sem hormônio para fogachos e sono
Se você não pode ou não quer hormônios, há opções com boa evidência. O fezolinetant, que age em uma via do calor no cérebro, reduziu a frequência e a intensidade dos fogachos em poucas semanas. Em 12 semanas, a média ficou cerca de 6 a 7 episódios a menos por dia nos estudos3, 4.
Também podem ajudar alguns antidepressivos em doses baixas, como venlafaxina, desvenlafaxina, sertralina ou escitalopram. Gabapentina pode ser opção em alguns casos. Para o sono, terapia com psicólogo focada em insônia, chamada terapia cognitivo-comportamental, e hábitos de sono ajudam. O efeito costuma ser moderado e varia por pessoa. Avise seu médico sobre remédios em uso, porque antidepressivos como paroxetina e fluoxetina atrapalham o tamoxifeno.
Além dos remédios, refrescar o quarto, evitar álcool à noite e treinar respiração lenta podem aliviar parte dos episódios. Exercício regular melhora sono e humor. Veja ideias seguras para mexer o corpo no nosso guia de articulacoes.
No SKYLIGHT 1, fezolinetant 45 mg reduziu a frequência de fogachos em 61% na 12ª semana, contra 35% com placebo.
Lederman et al., 20234
Dica: Fezolinetant pede exame de fígado antes e por mês nos 3 primeiros meses. Depois, conforme avaliação clínica3.
Quando a terapia hormonal não é uma boa ideia?
História de câncer de mama, trombose, derrame ou infarto recentes, doença ativa do fígado e sangramento vaginal sem causa clara são alertas para não iniciar hormônio pelo corpo todo. Nesses casos, avalie alternativas e, se preciso, estrogênio local1.
Preparações "bioidênticas" manipuladas, sem registro, não são recomendadas por segurança e qualidade. Prefira produtos registrados e padronizados1, 2.
Dica: Surgiu sangramento após 1 ano sem menstruar? Procure avaliação. Não ajuste dose por conta própria.
Dúvidas rápidas
Preciso parar a terapia hormonal em 5 anos?
Não há prazo fixo. A duração deve ser revista com regularidade e pode continuar enquanto o benefício superar os riscos para você1, 2.
Exame de estradiol no sangue decide a dose?
Em geral, não. A dose se ajusta pela melhora dos sintomas e pela tolerância. Dosar pode ajudar em casos selecionados, como resposta fraca ou efeito colateral2.
Tenho útero: posso usar só estrogênio?
Não. É preciso incluir progesterona para proteger o endométrio, que é o revestimento do útero. Sem útero, usa-se estrogênio isolado, salvo raras exceções1, 2.


